Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, nascido em Viena no ano de 1889, no seio de uma das famílias mais ricas da Europa, teve uma formação intelectual e cultural bastante peculiar. Viena, a capital do Império Austro-Húngaro, era um centro cosmopolita efervescente de cultura, e a casa dos Wittgenstein era freqüentada por grandes figuras como Brahms e Mahler, participantes assíduos dos saraus promovidos pela família, cujos membros tinham excepcional talento para a música. Educado por tutores e tendo contato com a nata da cultura vienense, a bagagem intelectual de Ludwig foi desde cedo assistemática e bastante eclética. Dos filósofos, leu principalmente Schopenhauer e Kierkegaard. Tendo já muito jovem demonstrado talento para a mecânica, foi estudar Engenharia, e assim, após um período de estudos em Berlim, mudou-se para Manchester, Inglaterra, onde pretendia dedicar-se à aviação.
O interesse de Wittgenstein, entretanto, acabou se desviando para os fundamentos da Matemática, e daí para a Lógica. Impressionado com as obras de G. Frege e posteriormente de B. Russell, foi a Cambridge estudar com este último. Russell ficou maravilhado com o talento e a perspicácia de Wittgenstein, e debruçaram-se os dois sobre os problemas lógicos levantados pelo inglês em suas obras. Wittgenstein era intenso tanto no modo de viver quanto no de filosofar; era um virtuose genial e autoritário, como seus irmãos o eram no terreno da música. Depois de estudar com Russell, Ludwig passou uma temporada numa cabana em uma remota aldeia norueguesa, trabalhando em seus problemas lógicos. Com a declaração da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Wittgenstein alistou-se no Exército do Império Austro-Húngaro e permaneceu no front até o fim do conflito, quando foi feito prisioneiro no norte da Itália. O Tractatus Logico-Philosophicus, uma das principais obras filosóficas do século XX (e dos anteriores também) foi escrito nas trincheiras dessa guerra.
Após a sua soltura em agosto de 1919, Wittgenstein tratou de editar o Tractatus, o que foi bastante difícil devido ao estilo obscuro da obra (os editores temiam investir num livro que não seria compreendido e, por conseguinte, venderia pouco). Somente após a intercessão de Russell, que escreveu um prefácio para a obra, Wittgenstein conseguiu publicar o Tractatus. Após isso, por coerência com as idéias apresentadas no livro, ele abandonou a Filosofia, indo dedicar-se à educação infantil, jardinagem e arquitetura. Voltou aos meios acadêmicos somente em 1929, quando o Tractatus já era o cerne da discussão filosófica tanto em Cambridge quanto nas reuniões do Círculo de Viena.
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